CompraZen, 09.02.2016.

Meditação é simplesmente deleitar-se na sua própria presença; meditação é um deleite no seu próprio ser. É muito simples – um estado de consciência totalmente relaxado onde você não está fazendo nada. Quando começa a fazer, você torna-se tenso; a ansiedade surge imediatamente. Como fazer? O que fazer? Como obter sucesso? Como não falhar? Você já se moveu para dentro do futuro. Meditação é simplesmente ser, sem fazer nada – nenhuma ação, nenhum pensamento, nenhuma emoção. Você simplesmente é, e isso é um puro deleite.

De onde vem esse deleite quando você não fazendo nada? Ele não vem de lugar nenhum, ou, vem de toda parte. Ele é incausado, porque a existência é feita de uma matéria chamada alegria. Ela não precisa de nenhuma causa, de nenhum motivo. Quando você está infeliz, há um motivo para estar infeliz; quando está feliz, você está simplesmente feliz – não há motivo algum. Sua mente tenta encontrar um motivo, porque ela não pode acreditar no incausado – com o incausado, a mente se torna simplesmente impotente. Dessa forma, a mente continua a descobrir uma razão ou outra. Mas eu gostaria de lhe dizer que sempre que você está feliz, você está feliz sem motivo algum, absolutamente. Sempre que você está infeliz, você tem algum motivo para estar infeliz – porque a felicidade é exatamente a matéria da qual você é feito. Ela é o seu próprio ser, é o seu ser mais recôndito.

Olhe para as árvores, os pássaros, as nuvens e as estrelas… e se tiver olhos verá que toda a existência é feliz. Tudo é simplesmente feliz. As árvores são felizes sem qualquer motivo; elas não se tornarão primeiros-ministros ou presidentes, e elas não se tronarão ricas e nunca terão nenhuma conta bancária. Olhe para as flores – não há qualquer motivo para serem felizes. É simplesmente inacreditável como as flores são felizes.

A matéria- prima de toda a existência é a felicidade.

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Aproxime-se de uma árvore, fale com ela, toque-a, abrace-a, sinta-a; sente-se ao seu lado e deixe que ela sinta que você é uma boa pessoa e que não está querendo maltratá-la.

Aos poucos surge uma amizade, e você começa a sentir que, quando se aproxima dela, a qualidade da árvore muda imediatamente. Você a sentirá, sob a casca da árvore você sentirá uma imensa energia fluindo quando você se aproxima. Quando você toca a árvore, ela fica tão feliz quanto uma criança, quanto uma pessoa amada. Quando você se sentar ao lado dela, sentirá muitas coisas, e logo será capaz de sentir que, se você estiver triste e for até a árvore, sua tristeza desaparecerá.

Somente então você será capaz de compreender que vocês são interdependentes. Você pode deixar a árvore feliz, e ela pode deixá-lo feliz. A vida como um todo é interdependente, e chamo essa interdependência de Deus.

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Levante-se às cinco horas, antes do sol nascer, e por meia hora simplesmente cante, sussurre, murmure sons. Esses sons não precisam ter significado; eles precisam ser existenciais, mas não com significados. Você deveria gostar deles, e isso é tudo – esse é o significado. Balance o corpo e deixe que isso seja um louvor ao sol nascente. Pare apenas quando o sol já tiver nascido.

Isso dará um certo ritmo a você durante todo o dia. Você ficará sintonizado desde a manhã e perceberá que o dia tem uma qualidade diferente; você fica mais amoroso, mais carinhoso, mais compassivo, mais amigável – menos violento, menos raivoso, menos ambicioso, menos egocêntrico.

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De vez em quando, faça uma pequena experiência: fique sem roupa em algum lugar – na praia, próximo a um rio, sob o sol – e comece a pular, a correr, e sinta sua energia fluindo através dos pés e das pernas para a terra. Corra e sinta que a energia está penetrando na terra através das pernas. Então, após alguns minutos de corrida, fique em pé e em silêncio, enraizado na terra, e sinta uma comunhão de seus pés com a terra. Repentinamente, você se sentirá muito enraizado, aterrado, sólido. Você perceberá que a terra se comunica, perceberá que seus pés se comunicam. Surge um diálogo entre a terra e você.

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Medite como céu: sempre que você tiver tempo, deite-se no chão e olhe para o céu. Deixe que essa seja sua contemplação. Se você quiser orar, ore para o céu; se quiser meditar, medite com o céu, à vezes com os olhos abertos, às vezes com os olhos fechados, pois o céu também está dentro. A vastidão do céu lá fora também existe dentro de você.

Estamos no limiar do céu exterior com o céu interior; das duas maneiras você pode se dissolver. Se você se dissolver no céu exterior, isso é uma prece; se você se dissolver no céu interior, então é meditação. Mas, no final dá no mesmo: você se dissolve. E esses dois céus não são dois. Eles são dois somente porque você existe; você é a linha divisória. Quando você desaparece, a linha divisória desaparece, então o dentro está fora e fora está dentro.

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Entre cada vez mais em sintonia com as estrelas. Sempre que o céu estiver aberto à noite e der para ver as estrelas, deite-se na terra e observe-as. Se você se sentir ligado a uma determinada estrela, observe-a. Enquanto estiver observando, pense em si mesmo como sendo um pequeno lago e que a estrela está refletida profundamente dentro de você. Assim, veja a estrela fora e veja-a refletida dentro de você. Essa se tornará sua meditação, e uma grande alegria surgirá a partir dela. Uma vez que tenha entrado em sintonia com ela, você pode simplesmente fechar os olhos e ver aquela estrela, a sua estrela; mas primeiro terá de encontrá-la.

No Oriente, há um mito de que cada pessoa tem uma certa estrela. Todas essas estrelas não são para todos; cada um tem sua estrela própria. Esse é um belo mito. No que se refere à meditação, você pode encontrar uma estrela que lhe pertence e à qual você pertence. Surgirá uma certa afinidade entre você e a estrela, pois somos feitos de luz, assim como as estrelas. Nós vibramos como luz, assim como as estrelas. Você sempre pode encontrar uma estrela com a qual se sinta sintonizado, uma que tenha o mesmo comprimento da onda que você. Essa é sua estrela; medite com ela. Aos poucos fixe-a dentro de você. Logo você a descobrirá dentro de si. Então, sempre que fechar os olhos, a encontrará em seu interior.

E, quando você começar a senti-la dentro de você, sinta-a próxima ao umbigo, a cinco centímetros abaixo do umbigo. Deposite-a ali; continue a depositá-la ali e logo sentirá uma luz intensa surgindo dentro de você, como se, de fato, uma estrela estivesse irradiando a sua luz. E não será apenas você que sentirá isso; outras pessoas também começarão a sentir que um certo tipo de luz começou a circundar seu corpo e seu rosto. Olhe as estrelas por algumas noites e será capaz de encontrar a sua estrela.

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Se você tiver um bom olfato, fique perto de uma flor e deixe que seu perfume o preencha. Depois, aos poucos, vá se afastando dela bem devagar, mas continuando a prestar atenção ao perfume, à fragrância. À medida que você se afasta, a fragrância ficará cada vez mais sutil e você precisará de mais percepção para senti-la. Torne-se seu olfato. Esqueça-se de todo corpo e traga toda sua energia para o nariz, como se somente o nariz existisse. Se você perder o rastro do perfume, dê alguns passos à frente e, de novo, capte o perfume; depois, volte a andar para trás.

Pouco a pouco você será capaz de sentir o perfume da flor de uma distância muito grande. Ninguém mais será capaz de sentir dali o perfume daquela flor. Então, continue a se mover de uma maneira muito sutil; você está tornando o objeto sutil, e então, chegará um momento em que não será capaz de sentir o perfume. Agora, cheire a ausência de onde a fragrância estava um momento atrás. Ela não está mais ali.

Essa é a outra parte do ser da fragrância – a parte ausente, a parte oculta. Se você puder apreciar a ausência do perfume, se puder sentir que isso faz diferença, isso fará diferença. Então o objeto se tornou muito sutil. Agora ele está se aproximando do estado de não-pensamento do samadhi.

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Comece esta meditação três dias antes da lua cheia. Fique ao ar livre, olhe para a lua e comece a balançar o corpo. Sinta como se você tivesse entregado tudo a ela – fique possuído. Olhe para a lua, relaxe, diga-lhe que você está à disposição dela e peça-lhe para fazer o que ela quiser. Então, seja lá o que acontecer, deixe que aconteça.

Se você sentir vontade de balançar o corpo, balance-o; se sentir vontade de dançar ou cantar, faça isso. Mas tido deve acontecer como se você estivesse possuído – você não é o agente. Trata-se de um acontecer, e você é apenas o instrumento.

Faça isso nos três dias que antecedem a lua cheia, e enquanto ela estiver ficando cada vez mais cheia, você começará a sentir cada vez mais energia e se sentirá cada vez mais possuído.  Quando chegar a lua cheia, você estará completamente arrebatado. Com uma hora de dança e arrebatamento, você se sentirá relaxado como nunca se sentiu antes.

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Comece a praticar esta meditação à noite. Sinta-se como se você não fosse um ser humano. Você pode escolher o animal que quiser: se gosta de gato, ótimo; se gosta de cachorro, ótimo…ou um tigre, fêmea ou macho – o que você quiser. Escolha, mas mantenha a sua escolha. Torne-se aquele animal. Ande de quatro pelo quarto e torne-se esse animal.

Durante quinze minutos, desfrute essa fantasia tanto quanto puder. Se você for um cachorro, comece a latir e faça coisas que se espera que um cachorro faça – e realmente faça! Divirta-se com isso! E não controle, porque um cachorro não pode controlar. Ser cachorro significa ter absoluta liberdade; portanto, tudo o que acontecer no momento, faça. Nesse momento, não traga o elemento humano do controle. Seja obstinadamente um cachorro; durante quinze minutos, caminhe sem destino pelo quarto… rosne, pule…

Essa prática será muito útil, pois você precisa de um pouco mais de energia animal. Você é exageradamente sofisticado e civilizado, e isso o está mutilando. Muita civilização é algo paralisante. Ela é boa em dose pequena, mas em demasia é muito perigosa. O melhor seria que você sempre fosse capaz de ser um animal. Seu animal precisa ser liberado.

Se você puder aprender a ser um pouco selvagem, todos os seus problemas desaparecerão. Comece esta noite – e desfrute!

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Erga os braços e sinta-se como uma árvore sob um forte vento. Dance como uma árvore sob a chuva e sob os ventos. Deixe que toda a sua energia se torne uma energia dançante, balançando e se movendo com o vento; sinta o vento passando por você. Esqueça-se de que você tem um corpo humano – você é uma árvore, identifique-se com ela.

Se for possível, fique ao ar livre, em pé entre as árvores; torne-se uma árvore e deixe que o vento passe por você. É imensamente fortalecedor e revigorante se sentir identificado com uma árvore. A pessoa facilmente entra na consciência primal. As árvores ainda estão nessa consciência; fale com ela, abrace-as e, de repente, sentirá que tudo está de volta. E, se não for possível ficar ao ar livre, fique em pé no meio do quarto, visualize a si mesmo como uma árvore e comece a dançar.

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Quinze minutos antes do nascer do sol, quando o céu estiver clareando, observe espere como se espera a pessoa amada: muito nervoso, em uma profunda expectativa, muito esperançoso e excitado – e, ainda assim, silencioso. E, quando o sol nascer, continue a observar. Não há necessidade de fixar a vista; você pode piscar os olhos. Tenha a sensação de que, dentro de você, alguma coisa também está nascendo ao mesmo tempo.

Quando o sol despontar no horizonte, comece a sentir que ele está próximo do seu umbigo. Ele se ergue no horizonte; e aqui, um ponto interior de luz também está se erguendo. Dez minutos serão suficientes, e depois feche os olhos. Quando você fita o sol com os olhos abertos, ele cria um negativo; assim, quando você fecha os olhos, pode ver o sol ofuscando dentro de você isso irá transformá-lo imensamente.

Eis toda a arte da meditação: estar profundamente na ação, deixar de lado o pensamento e fazer com que a energia canalizada para o pensamento se desvie para a percepção.

– O Livro Orange, Osho, Cultrix / O Que É Meditação, Osho, Ediouro

FONTE: CompraZen.

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